Peças que duram mais ganham espaço na agenda ESG do setor automotivo

21/01/2026
Peças que duram mais ganham espaço na agenda ESG do setor automotivo

A agenda ESG no setor automotivo vem sendo tradicionalmente associada à eletrificação, à redução de emissões e ao avanço de materiais de origem sustentável. Embora esses vetores sigam fundamentais, cresce a percepção de que a sustentabilidade da indústria também passa por outro fator decisivo a durabilidade das peças de borracha utilizadas nos veículos.

Presentes em sistemas essenciais como suspensão, vedação, isolamento, transmissão e controle de vibração, os componentes de borracha influenciam diretamente o desempenho, a segurança e a vida útil dos automóveis. Quando projetados para durar mais, esses artefatos reduzem a necessidade de reposições frequentes, diminuem o consumo de recursos naturais e mitigam impactos ambientais associados à fabricação, ao transporte e ao descarte prematuro. Sob essa ótica, a durabilidade da borracha se consolida como um indicador concreto e mensurável de ESG.

Pensar em borracha mais durável é, na prática, repensar o ciclo de vida dos veículos. Cada componente que permanece em operação por mais tempo contribui para a redução de resíduos, menor pressão sobre a cadeia produtiva e menor emissão de gases de efeito estufa ao longo do tempo. Trata-se de uma abordagem que complementa, e não substitui, iniciativas como eletrificação e uso de matérias-primas renováveis, ampliando o alcance da sustentabilidade no setor automotivo.

Esse debate se torna ainda mais relevante diante da realidade da frota brasileira. Dados do Sindipeças indicam que a idade média dos veículos em circulação passou de 8 anos e 10 meses em 2015 para 11 anos e 2 meses em 2024, com aproximadamente 25 por cento da frota acima dos 16 anos de uso. Uma frota mais envelhecida impõe maior exigência sobre componentes de borracha, que passam a operar sob condições de desgaste acumulado e ciclos prolongados de uso.

Nesse contexto, a durabilidade dos artefatos de borracha deixa de ser apenas uma vantagem técnica e passa a ser uma necessidade ambiental e econômica. Peças mais resistentes contribuem para manter veículos em operação por mais tempo, reduzem a geração de sucata e minimizam trocas prematuras. Ao mesmo tempo, geram ganhos diretos para consumidores, frotistas e oficinas, ao reduzir custos de manutenção, aumentar a confiabilidade dos sistemas e melhorar a eficiência do transporte.

A construção dessa durabilidade está diretamente ligada à engenharia e aos processos industriais do setor da borracha. Investimentos em formulações mais avançadas, controle rigoroso de matérias-primas, testes de resistência acelerada, simulações de ambientes extremos e monitoramento de desempenho em campo são fatores determinantes para ampliar a vida útil dos componentes. Empresas que adotam essas práticas fortalecem não apenas seus produtos, mas toda a cadeia automotiva.

Ao colocar a borracha no centro da discussão sobre ESG, o setor automotivo amplia sua visão de sustentabilidade para além do que é mais visível ao consumidor final. A longevidade dos componentes passa a ser reconhecida como um valor estratégico, alinhando responsabilidade ambiental, eficiência econômica e desempenho técnico.

Para a indústria nacional da borracha, esse é um momento-chave de reposicionamento. Ao destacar a durabilidade como eixo estruturante da agenda ESG, o setor reforça seu papel na construção de uma mobilidade mais eficiente, resiliente e sustentável, em sintonia com a realidade da frota brasileira e com as demandas de longo prazo da cadeia automotiva.


Fonte: Borracha Natural

Imagem: Canva

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